Calculadora de disjuntor
Corrente do circuito, disjuntor comercial adequado e curva recomendada conforme o tipo de carga. Com a seção de condutor coordenada, porque disjuntor e cabo se dimensionam juntos.
Disjuntor sugerido
25 A · curva B
Carga resistiva não tem pico de partida: curva B atende.
O disjuntor protege o cabo, não o contrário. Aumentar o disjuntor sem aumentar a seção do condutor remove a proteção: o cabo passa a aquecer sem que nada interrompa o circuito. Disjuntor e condutor são dimensionados juntos, sempre.
As curvas B, C e D
A curva define quão rápido o disjuntor atua diante de uma sobrecorrente instantânea. Ela não muda a proteção contra sobrecarga sustentada — muda a tolerância ao pico de partida.
- Curva B — atuação mais rápida. Para cargas resistivas e circuitos sem pico de partida: chuveiro, forno, aquecedor, iluminação.
- Curva C — tolerância intermediária. A escolha usual para circuitos de tomadas, motores de pequeno e médio porte e ar-condicionado.
- Curva D — alta tolerância. Para motores de partida pesada, transformadores e cargas com alto pico de energização.
Escolher curva de menos faz o disjuntor desarmar a cada acionamento. Escolher curva de mais atrasa a atuação num curto real. As duas pontas têm custo.
Por que motor é caso à parte
A corrente de partida de um motor de indução pode chegar a várias vezes a nominal, por alguns segundos. Isso cria a confusão mais comum do dimensionamento:
- A seção do cabo sai da corrente de regime, porque o que aquece o condutor é a operação contínua. A partida dura pouco demais para importar.
- A curva do disjuntor sai da corrente de partida, porque é ela que faria a proteção atuar indevidamente.
O disjuntor não protege o motor. Ele protege o circuito. O motor precisa de proteção própria contra sobrecarga — relé térmico ou disjuntor-motor — ajustada à corrente nominal dele. Um motor travado puxa corrente acima da nominal e abaixo do limite do disjuntor do circuito: queima sem que nada desarme.
Coordenação entre disjuntor e condutor
A regra é simples de enunciar: a corrente do disjuntor precisa ser maior ou igual à corrente do circuito, e menor ou igual à capacidade de condução do condutor instalado.
Icircuito ≤ Idisjuntor ≤ Icabo
O termo do meio é o que esta calculadora resolve. O termo da direita depende das tabelas de capacidade de condução da NBR 5410 — propriedade intelectual da ABNT, que não reproduzimos aqui — com os fatores de correção de agrupamento e temperatura aplicados ao seu caso.
A coluna seção usual coordenada traz a prática consolidada em instalação residencial brasileira, como referência de conferência. Ela não se aplica a instalação industrial, circuito agrupado ou ambiente com temperatura elevada.
Disjuntor não substitui DR
O disjuntor atua por sobrecorrente, na casa das dezenas de ampères. Um choque fatal acontece com dezenas de miliampères — corrente mil vezes menor, que o disjuntor nem percebe.
A proteção contra choque é função do dispositivo diferencial-residual, exigido pela norma em circuitos de áreas molhadas e outros pontos de risco elevado. São dispositivos complementares, não alternativos.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre curva B, C e D?
A curva define a rapidez de atuação diante de uma sobrecorrente instantânea. A B atua mais rápido e serve para cargas resistivas sem pico de partida. A C tolera picos moderados e é a escolha usual para motores de pequeno e médio porte e cargas mistas. A D suporta picos elevados, para partida pesada e transformadores.
O disjuntor protege o motor?
Não. Ele protege o circuito contra sobrecarga e curto-circuito. O motor precisa de proteção própria — relé térmico ou disjuntor-motor — ajustada à corrente nominal dele.
Um motor travado pode puxar corrente acima da nominal e abaixo do limite do disjuntor do circuito, queimando sem que a proteção do circuito perceba.
Posso aumentar o disjuntor se ele desarma muito?
Só se o condutor for redimensionado junto, o que é trabalho de projeto. O disjuntor protege o cabo: aumentar a corrente de atuação sem aumentar a seção deixa o condutor aquecendo sem nada interromper.
Desarme frequente indica sobrecarga real, que se resolve redistribuindo cargas ou criando circuito dedicado. Veja o guia de diagnóstico.
Disjuntor bipolar ou unipolar?
Depende do circuito. Circuito monofásico em 127 V usa unipolar na fase. Circuito em 220 V entre duas fases exige bipolar, que secciona as duas simultaneamente. Circuito trifásico exige tripolar.
O ponto crítico é o seccionamento simultâneo: interromper só uma fase deixa o circuito parcialmente energizado, o que é perigoso para quem for fazer manutenção.
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