Bitola para motor trifásico
O cabo sai da corrente de regime. A partida define a proteção, não a seção.
Neste guia
Dimensionar circuito de motor confunde porque há duas correntes muito diferentes em jogo: a de regime, que o motor puxa depois de estabilizado, e a de partida, que pode ser várias vezes maior durante alguns segundos.
A confusão gera os dois erros opostos. Quem dimensiona o cabo pela partida gasta cobre à toa. Quem escolhe a curva do disjuntor pela corrente de regime tem a proteção desarmando a cada acionamento.
Cabo pela corrente de regime
A seção do condutor é definida pela corrente que o motor puxa em operação contínua — a corrente nominal, que está na placa.
O motivo é térmico: o que danifica a isolação é o aquecimento acumulado, e a partida dura poucos segundos, tempo insuficiente para elevar a temperatura do condutor de forma relevante. O regime permanente é que aquece.
Para motor trifásico, a corrente sai de I = P ÷ (√3 × V × fp × η), onde fp é o fator de potência e η o rendimento. Ambos estão na placa do motor. Se a placa já informa a corrente nominal, use-a diretamente — é o dado mais confiável.
Disjuntor pela partida
A corrente de partida de um motor de indução pode chegar a seis ou oito vezes a nominal, dependendo do tipo de motor e da carga acoplada. Um disjuntor de curva B, que atua rápido em sobrecorrente, desarma a cada acionamento.
Por isso circuito de motor pede curva C ou D, que toleram o transitório de partida sem atuar, mas continuam protegendo contra curto-circuito e sobrecarga sustentada.
- Curva B — atuação rápida. Para cargas resistivas e circuitos sem pico de partida.
- Curva C — tolerância intermediária. A escolha usual para motores de pequeno e médio porte.
- Curva D — alta tolerância. Para motores com partida pesada, transformadores e cargas com alto pico de energização.
Proteção contra sobrecarga é separada
O disjuntor protege o circuito. O motor precisa de proteção própria contra sobrecarga — relé térmico ou disjuntor-motor —, ajustada à corrente nominal dele.
A distinção importa: um motor travado ou com carga excessiva puxa corrente acima da nominal mas abaixo do limite do disjuntor do circuito. Sem proteção específica, ele queima sem que o disjuntor perceba.
Queda de tensão penaliza motor duas vezes
Motor é a carga mais sensível a subtensão, porque o torque cai com o quadrado da tensão. Oito por cento a menos de tensão significam cerca de quinze por cento a menos de torque.
E o efeito se realimenta: com menos torque, o motor puxa mais corrente para entregar a mesma potência mecânica, o que aumenta a queda de tensão e o aquecimento. Em circuito longo, dimensionar com folga não é luxo.
Perguntas frequentes
Dimensiono o cabo pela corrente de partida?
Não. A seção sai da corrente de regime, porque o aquecimento do condutor depende da operação contínua. A partida dura segundos e não aquece o cabo o suficiente para importar. Quem é dimensionado para a partida é a curva do disjuntor.
Qual curva de disjuntor para motor?
Curva C atende a maioria dos motores de pequeno e médio porte. Motores com partida pesada podem exigir curva D. Curva B praticamente não serve para motor, porque desarma no pico de partida.
O disjuntor protege o motor?
Protege o circuito, não o motor. O motor precisa de proteção de sobrecarga própria — relé térmico ou disjuntor-motor — ajustada à corrente nominal dele. São funções distintas e complementares.
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